Biblioteca da Escola Secundária Padre Alberto Neto - Queluz |
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1. A história 1. A história: Em 25 de Dezembro, a cristandade celebra o nascimento de Jesus, fundador de uma religião que o considera o Messias ( Enviado ) e Filho de Deus. A data do seu nascimento é, na realidade, completamente desconhecida. As Escrituras, ou nada dizem sobre o assunto, ou dizem ( como é o caso do evangelho segundo Lucas, 2,6) que na noite em que Jesus nasceu os pastores guardavam, à noite e ao luar, os seus rebanhos, o que parece sugerir uma data primaveril. Só a partir do séc. II é que a Igreja entendeu dever situar no ano civil uma data para a celebração do nascimento de Jesus. Houve muito debate a esse respeito: Clemente de Alexandria propôs 18 de Novembro, outros 2 de Abril, 20 de Abril, etc. Nos séc. III e IV, todo o Oriente cristão celebrava o nascimento de Jesus em 6 de Janeiro, mas por essa mesma época, uma outra data começava a impor-se: 25 de Dezembro. Esta data coincide com o solstício de Inverno, que marca o período mais sombrio do ano, aquele em que os dias são mais curtos e as noites mais longas. A partir do final de Dezembro, a luz do dia começa lentamente a ganhar alguns minutos sobre a noite. A cristandade celebra na noite mais longa do ano o nascimento de Jesus, luz do mundo. Além disso, a Igreja “cristianizou” a festa pagã do deus Mitra, deus da luz, cujo renascimento se celebrava precisamente a 25 de Dezembro. A primeira menção latina do 25 de Dezembro como festa da Natividade remonta ao ano 354, mas nessa época nenhuma cerimónia particular lhe estava associada. A celebração do Natal começa, de facto, com Honório, que reinou no Ocidente de 395 a 423. Só nessa altura a Natividade passou a ser colocada em pé de igualdade com a Páscoa. Em 440, a Igreja decide oficialmente celebrar o nascimento de Jesus em 25 de Dezembro. Em 506, no concílio de Agde, o Natal tornou-se uma festa obrigatória. Em 529, o imperador Justiniano fá-lo um dia feriado. Por essa altura o frade Dionísio, o Pequeno, fixa de uma forma arbitrária o nascimento de Jesus no “ano 1”, que assimila ao ano 754 da fundação de Roma. A palavra natal é de origem latina ( dies natalis), e significa “(dia) do nascimento”. No Natal, mais do que em qualquer outra ocasião, os homens recordam-se do seu passado, da sua infância, dos seus antepassados. A noite, em embrião, contém o dia. Ao Inverno sucederá a Primavera. Uma esperança está a trabalhar em segredo. A luz voltará, mas sempre outra.
2. A árvore de Natal e o Presépio A árvore de Natal é um dos símbolos por excelência da festa de Natal. O pinheiro, ou o abeto, são árvores de folha perene, sempre verde, o que explica a sua escolha para simbolizar a vida. Já em 580, o bispo, Martim de Braga proíbe “o uso pagão das folhagens e de louro” que as pessoas usavam para enfeitar as casas nos finais de Dezembro. A árvore de Natal, um abeto, aparece pela primeira vez representada num quadro de Lucas Cranach, o Antigo, em 1500. A árvore de Natal das festas cristãs é a herdeira de tradições antiquíssimas, de festas romanas em que uma árvore era carregada de fitas, comida e figuras de madeira. As primeiras árvores de Natal montadas em locais públicos foram erigidas na Alsácia a partir de 1700. Em França, a primeira aparição de um abeto de Natal, enfeitado e iluminado com velas, deu-se em 1837, no jardim das Tulherias, em Paris. A tradição impõe 12 velas, uma para cada mês do ano. Muitas famílias não prescindem de montar um “presépio” ( do latim estábulo ). A lenda diz que o primeiro presépio de Natal foi feito por São Francisco de Assis em 1223, numa gruta de Greccio, em Itália. Mas na realidade a representação do nascimento de Jesus numa gruta de Belém é muito mais antiga. Desde o séc. IV que se encontram em Roma cenas da Natividade esculpidas em sarcófagos. Mas foram os frades franciscanos que espalharam pela Europa a tradição de fazer um presépio no Natal. No imaginário tradicional, o presépio é representado sob a forma de uma gruta ou caverna. Nada disto consta dos evangelhos, mas a Igreja aceitou, cristianizando-a, a gruta da divindade pagã Mitra, nascido numa caverna.
A refeição de Natal é tradicionalmente um banquete desde tempos remotos. O prato forte começou por ser o porco/javali, símbolo de fecundidade, considerado um animal sagrado na Antiguidade, sacrificado pelos Romanos por ocasião do solstício de Inverno. Na Idade Média o mais célebre e apreciado prato da refeição de Natal era a cabeça de javali, tradição que perdurou até ao fim do séc. XVII. Por essa altura começou a sentir-se a concorrência do perú, animal originário do México. Sabemos que, já em 1542, o rei de Inglaterra Jaime I mandou servir perú no Natal, em vez de porco. No sul da Europa, nomeadamente na Provença ( França ) e em Portugal, a tradição da consoada de Natal é uma refeição magra, de bacalhau com batatas e hortaliças. Esta simplicidade é compensada com as sobremesas à base de ovos, frituras e frutos secos: amêndoa, pinhão, noz, passas, etc. A refeição de Natal é sempre acompanhada pelos melhores vinhos e pela música tradicional da quadra festiva. Os primeiros hinos de Natal, escritos em Latim, datam do séc.V. Esses primeiros cânticos, muito solenes, foram progressivamente sendo substituídos por cantos populares. Na Alemanha, país de grandes tradições musicais, nasceu a célebre canção “Ô Tannenbaum, ô Tannenbaum” ( “Meu belo abeto”) no séc.XVI. Em 1818, Joseph Mohr criou outra canção famosa em todo o mundo: “”Stille Nacht, heilige Naacht” ( “Noite doce, noite santa”).
Natal sem prendas não é verdadeiramente Natal! A tradição de oferecer presentes por ocasião das festas do solstício de Inverno remonta aos Romanos que, durante as Saturnalia e as Calendas de Janeiro ofereciam prendas, chamadas strenae. A Igreja acabou por aderir a este costume pagão, cabendo o papel de distribuidor de prendas a São Nicolau, ou a São Martinho, ou ao Menino Jesus, segundo as regiões. Mais recentemente, popularizou-se a figura do Pai Natal, de características anglo-saxónicas: é um velho de barba branca, com um barrete de pele na cabeça, um casacão enorme, encarnado, orlado de branco, que se faz transportar a cavalo num burro ou num trenó puxado por renas. Traz uma grande sacola às costas: é aí que estão as prendas de Natal... Adaptação de Festejar o Natal, Lendas e Tradições, Alain de Benoist, Hugin, 1997 |
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